01/09/2026 · Crônicas do Diniz
Manual para sobreviver a uma segunda-feira
Por Paulo Sergio Coêlho Diniz ·

Manual para sobreviver a uma segunda-feira
Toda segunda-feira deveria começar depois do almoço. Isso não está escrito em nenhuma lei, mas deveria estar. Existe algo profundamente injusto na ideia de que o mesmo relógio que nos liberta no domingo à noite é o que nos prende, sem aviso prévio, às sete da manhã seguinte.
A segunda-feira tem personalidade própria. Ela não é apenas um dia da semana — é quase um personagem, com humor difícil e senso de oportunidade duvidoso. É ela quem decide que o despertador vai tocar no meio de um sonho bom. É ela quem faz o café ficar mais amargo, o trânsito mais lento, o e-mail mais chato de responder. Nenhum outro dia tem tanta má fama, e, convenhamos, ela faz por merecer.
Há quem enfrente a segunda-feira como quem enfrenta uma guerra: reunião de estratégia no domingo à noite, roupa separada, lista de tarefas escrita em letras maiúsculas. Eu prefiro outra abordagem, menos heroica e mais realista: aceitar que a segunda-feira vai vencer as primeiras horas, e que a vitória, se vier, será apenas por pontos, lá pelo fim da tarde.
Sugiro, então, um pequeno manual de sobrevivência. Primeiro: não tome nenhuma decisão importante antes das dez da manhã — a segunda-feira adora nos fazer prometer coisas que a terça-feira vai cobrar. Segundo: trate o primeiro café como um ritual sagrado, não como combustível de urgência. Terceiro: aceite que alguma coisa vai dar errado, porque é da natureza do dia, e o problema nunca é tão grande quanto a segunda-feira faz parecer.
E, por fim, lembre-se de que ela também acaba. Por mais implacável que pareça pela manhã, a segunda-feira desmancha aos poucos, como todo personagem mal-humorado que, no fundo, só queria alguma atenção. Às seis da tarde, ela já não é mais páreo. E aí, se prestarmos atenção, percebemos que sobrevivemos — mais uma vez — a mais uma segunda-feira que jurava que seria diferente.