25/08/2026 · Crônicas do Diniz
A arte de perder cinco minutos
Por Paulo Sergio Coêlho Diniz ·

Existe um tipo de pressa que não serve para nada. Não é a pressa de quem corre para pegar o ônibus, nem a de quem tenta salvar alguém de um perigo real. É a pressa comum, doméstica, de todo dia — aquela que sentimos ao esperar a água do café descer, ao ficar parados diante do micro-ondas contando os segundos, ao observar a barra de carregamento de um aplicativo que insiste em não andar.
Cinco minutos. É só isso que pedem essas pequenas esperas. E, no entanto, tratamos esses cinco minutos como se fossem um roubo. Um assalto silencioso ao nosso tempo, que deveria estar sendo usado para algo "produtivo" — nunca fica muito claro o quê.
Eu costumava ser assim. Ficava irritado com o elevador lento, com a fila do pão, com o sinal vermelho que parecia rir da minha urgência. Até que, um dia, sentado num banco de praça esperando alguém que se atrasava, percebi uma coisa simples: eu não tinha nada mais importante para fazer naquele momento do que exatamente aquilo — esperar.
E foi ali, sem pressa nenhuma, que reparei pela primeira vez em meses no formato das folhas de uma árvore. Ouvi, sem querer, a conversa de duas senhoras sobre uma novela antiga. Vi um cachorro cheirar o mesmo poste três vezes, como se cada cheirada contasse uma história diferente. Nada daquilo mudou o mundo. Mas mudou o meu minuto.
Talvez a gente erre o alvo quando pensa em tempo perdido. Talvez os cinco minutos que tanto tentamos economizar sejam justamente os que mais precisávamos viver — não para fazer algo neles, mas para simplesmente estar. Porque a vida, no fim das contas, não acontece só nas grandes decisões e nos compromissos marcados na agenda. Ela também mora nesse intervalo desprezado, nesse espaço vazio entre uma tarefa e outra, onde ninguém está olhando e por isso mesmo tudo pode ser observado com mais verdade.
Da próxima vez que o elevador demorar, que a página não carregar, que a fila não andar — experimente não puxar o celular do bolso. Só fique ali. Pode ser que, nesses cinco minutos supostamente perdidos, você encontre alguma coisa que andava procurando há muito mais tempo do que isso.